PROJETOS DE PESQUISA

Programa: Pronex - CNPq

Projeto: História (trans)nacional: perspectivas e conexões

O projeto, desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio aos Núcleos de Excelência (Pronex), tem como objetivo refletir sobre as possibilidades de uma história que pressupõem a interlocução entre o local e o (trans)nacional, tendo como elemento articulador as noções de conexões e emaranhamentos, importantes conceitos historiográficos a desafiar os historiadores no século XXI. Se a noção de conexões tem já uma genealogia bastante conhecida nas humanidades, emaranhamento, termo emprestado da mecânica quântica, pode parecer incomum, apesar de já corrente em arqueologia e antropologia.

Emaranhamento é a noção articuladora dos relacionamentos entre pessoas, coisas e locais. Ele permite delinear uma perspectiva comparativa entre diferentes escalas interpretativas (transitando do local ao global) e entre regiões e temporalidades distantes, com vistas a promover uma resposta nova a questões que vem provocando os pesquisadores há cerca de duas décadas e que fizeram com que muitos produzissem propostas de tipo macro, enveredando fundamentalmente para uma perspectiva global que enfatizava as sínteses e que se centrava nas grandes estruturas como forma de fugir aos marcos dados pelo Estado-Nação e rejeitando os estudos locais e micro históricos.

O projeto acompanha historiadores que propuseram um olhar crítico a esta história universalizante. A nova História Global não poderia adotar um enfoque em que a síntese, como queria uma história universal já superada, dominasse em relação à pesquisa de arquivos e materiais de primeira mão. Desta forma, o presente projeto pretende se inserir na tradição de estudos que visa elaborar uma história que pressupõem a interlocução entre o local e o (trans)nacional, em suas dimensões de encontros e conexões, e fazê-la aliando uma profunda reflexão historiográfica especializada com questões transversais que permitam ampliar e aprofundar o escopo da análise a partir do conceito de emaranhamento.

O propósito é compreender as formas de colonizações, guerras, circulação de ideias, mercadorias e migrações como forças que conformam a história, bem como perceber a persistência, em longos períodos, de projetos políticos e identidades culturais locais e/ou nacionais.

Coordenador: Jorge Ferreira

Integrantes: Adriene Baron Tacla, Alexandre Carneiro, Alexandre Moraes, Alexandre Vieira, Alexsander Gebara, Americo Freire, Andrea Casa Nova Maia, Claudia Maria Viscardi Ribeiro, Maria Cristina Nicolau Kormikiari, Edmar Checon, Eliana Regina Freitas Dutra, Elisa Abrantes, Fábio Koifman, Frederico de Castro Neves, Giselle Venancio, Gizlene Neder, Gladys Gelado, Karla Carloni, Karolina Carula, Laura Maciel, Luiz Fernando Saraiva, Marcus Dezemone, Maria Beatriz Borba Florenzano, Noberto Ferreras, Pedro Cezar Dutra Fonseca, Renata Schittino, Rita Almico, Rodrigo Patto Sá Motta, Surama Conde Sá Pinto, Maria Veronica Secreto.

 

Início: 2016

Instituição sede: Universidade Federal Fluminense

Instituições financiadoras: CNPq/FAPERJ

 

Programa: Edital Memórias Brasileiras: Biografias – CAPES

Projeto: A República no Brasil – trajetórias de vida entre a democracia e a ditadura

 

O projeto “A República no Brasil – trajetórias de vida entre a democracia e a ditadura” se orienta com vistas a contribuir para renovação das abordagens biográficas da História do Brasil República – tendo como pressuposto valorizar o debate público sobre a pluralidade das dinâmicas e dos sujeitos sociais. A partir da análise de múltiplas trajetórias de vida, expressas em narrativas políticas entre democracia e ditadura, busca-se a construção e difusão de práticas de história pública. A pesquisa proposta se apoia no intercâmbio acadêmico de pesquisadores, professores e alunos das diversas instituições envolvidas no projeto, fomentando a troca experiências e o diálogo acadêmico em torno dos eixos “biografia, narrativas políticas e história pública” na história do Brasil republicano. O projeto agrega trajetórias plurais que permitem ampliar as discussões sobre os diversos projetos políticos que estiveram em pauta no Brasil ao longo do século XX – dinâmicas entre autoritarismos e projetos democratizantes, revoluções e reformas elaboradas por segmentos diversos da sociedade brasileira em momentos distintos de sua história recente.

 

Coordenador: Jorge Ferreira

Integrantes: Anderson Almeida, Fábio Koifman, Francisco das Chagas Fernandes Santiago Júnior, Isabel Cristina Leite, Janaína Cordeiro, Karla Guilherme Carloni, Leonardo Cazes, Natahsa Piedras, Juniele Rabelo de Almeida, Michelle Reis de Macedo, Samantha Viz Quadrat, Silvana Louzada.

Início/final: 2016-2019

Instituição sede: Universidade Federal Fluminense

Instituições financiadoras: CAPES

 

Programa: Cientistas do Nosso Estado - FAPERJ

Projeto: O Rio de Janeiro e a Primeira República nas páginas dos jornais: ideologias, culturas políticas e conflitos sociais (1889-1930)

Utilizando como fonte privilegiada a imprensa carioca e recorrendo aos métodos oferecidos pela História Política e pela História Cultural, os integrantes do projeto desenvolverão pesquisas sobre a cidade do Rio de Janeiro durante a Primeira República brasileira, entre 1889 a 1930. Nas páginas dos jornais, a preocupação será a de analisar ideias, crenças e representações produzidas e manejadas por atores sociais que viveram na cidade naquela época: conhecer as formas de participação popular durante o dia 15 de novembro, quando ocorreu a Proclamação da República; avaliar como revistas ilustradas registravam os trabalhadores em suas atividades diárias; compreender a maneira como a imprensa carioca noticiou e interpretou o chamado “bota-abaixo”, na época do prefeito Pereira Passos, e os trabalhos de abertura da Avenida Central; inferir como a imprensa associou o ideal de nacionalidade com os esportes, tendo como estudo de caso o campeonato sul-americano de futebol de 1919; analisar o episódio que ficou conhecido como Revolta dos 18 do Forte e como a imprensa noticiou e interpretou a rebelião militar; avaliar, por meio da imprensa, as repercussões sobre a passagem da bailarina norte-americana Isadora Duncan pelos palcos do Rio de Janeiro, sobretudo entre os intelectuais modernistas e sua influência na dança brasileira; reconstituir o cotidiano da cidade nos dias em que eclodiu a revolta da Vacina, em 1904 e como a imprensa explicou os acontecimentos; investigar a atuação do Partido Comunista do Brasil a partir de dois jornais editados pela organização revolucionária: A Classe Operária e A Nação; compreender as razões para o sucesso do tônico Saúde da Mulher, lançado em 1906, e a maneira como o laboratório Daudt, médicos e os usuários consideravam o corpo e a mentalidade feminina; analisar como diversos jornais do Rio de Janeiro discutiram a campanha da Aliança Liberal com seu candidato Getúlio Vargas à presidência da República, tanto os favoráveis como os de oposição.

Coordenador: Jorge Ferreira

Integrantes: Jayme Lúcio Fernandes Ribeiro, Andréa Casa Nova Maia, Luis Eduardo de Oliveira, Claudia Maria Ribeiro Viscardi, Marcela Fogagnoli, Renato Soares Coutinho, Karla Guilherme Carloni, Michelle Reis de Macedo, Flavia Salles Ferro, Diego Carvalho da Silva.

 

Início/final: 2015-2018

Instituição sede: Universidade Federal Fluminense

Instituições financiadoras: FAPERJ

Produtividade em Pesquisa - CNPq

Projeto: Elisa Branco: uma vida em vermelho

Elisa Branco Batista foi militante do Partido Comunista do Brasil desde 1945, atuando ativamente nas tarefas partidárias, em particular nas organizações femininas e nas campanhas pela paz. Em 1950 ela recebeu a arriscada tarefa de, durante desfile militar do 7 de setembro, no Vale do Anhagabaú, em São Paulo, abrir enorme faixa com os dizeres: “Os soldados nossos filhos não irão para a Coréia”. Presa pela polícia, ela foi condenada pela Lei de Segurança Nacional a mais de quatro anos de detenção. Os comunistas patrocinaram ampla campanha por sua libertação. Elisa tornou-se figura enaltecida no movimento comunista, sobretudo nas Campanhas pela Paz. Após cumprir parte da pena, em 1952 ela ganhou o Prêmio Stalin da Paz, honraria dedicada a artistas, intelectuais e políticos de renome internacional. Elisa Branco é citada, sempre de maneira superficial em memórias de militantes, e sua atuação política ainda não mereceu estudo mais aprofundado. Este é o propósito central do projeto de pesquisa

 

Coordenador: Jorge Ferreira

 

Início: 2019

Instituição sede: Universidade Federal Fluminense

Instituições financiadoras: CNPq

Projeto: "Eu vou para ver a Charanga do Jayme tocar": A Charanga do Flamengo e a organização da torcida de futebol como agente coletivo.

Descrição: A historiografia sobre o esporte no Rio de Janeiro já se debruçou sobre as configurações elitistas das primeiras instituições esportivas do Rio de Janeiro. Nascidas sob o signo da modernidade excludente da Primeira República, os clubes de futebol da cidade preservaram por décadas o perfil restritivo dos seus assistentes, reforçando o caráter de espectador burguês que não intervia no andamento das partidas dos adeptos que frequentavam os espaços de sociabilidade esportiva. Esse cenário esportivo dominado pelo espectador assistente foi alterado de forma decisiva nos anos 1930, quando a profissionalização dos clubes e o surgimento da crônica esportiva alinharam-se aos projetos de modernização nacional-estatista e promoveram uma intensa (re)significação do papel social do torcedor, que a partir das diretrizes das novas relações entre Estado e Sociedade passaram a enfatizar o protagonismo do torcedor popular na realização do espetáculo esportivo. O objetivo desta pesquisa é analisar o surgimento da Torcida Organizada por Jayme de Carvalho em 1942 - que logo foi batizada por Ari Barroso como "Charanga", pelo tom desafinado das suas execuções musicais - associando as ações de organização do coletivo feitas por Jayme de Carvalho com o projeto de organização e tutela das classes trabalhadoras que norteava os símbolos de Nação presentes no projeto nacional-estatista gestado nos governos Vargas nos anos 1930-1945.. 
 

Coordenador: Renato Soares Coutinho